Como o SUSVIDA é construído: as decisões que dá para verificar
Promessa de segurança vale pelo que é verificável. As escolhas técnicas que sustentam o que dizemos, e as que ainda estão em aberto.
Todo serviço de saúde afirma ser seguro. Como afirmação não vale nada sozinha, o que segue é o que está por trás — incluindo o que ainda não está pronto, porque uma lista só de acertos é publicidade.
Isolamento no banco, não só na aplicação
As regras de quem pode ver o quê vivem no banco de dados, como políticas de Row Level Security, e não apenas nas consultas da aplicação. Uma consulta que esqueça o filtro não devolve dado alheio: devolve vazio. Isso importa porque a falha mais comum em sistemas multiusuário é exatamente o filtro esquecido em uma consulta entre dezenas.
Processamento clínico na própria infraestrutura
A leitura de exames roda em servidor próprio. O texto extraído passa por remoção de identificadores — nome, CPF, endereço, telefone, CRM — antes de qualquer etapa seguinte, e a cadeia prioriza processar localmente antes de recorrer a provedor externo.
A teleconsulta roda em servidor de vídeo próprio, não em plataforma comercial de reuniões. Áudio e imagem de consulta não transitam por serviço de terceiro cujo modelo de negócio é outro.
Auditoria e verificação pública
Todo acesso a dado clínico é registrado. Documentos emitidos carregam código e registro de integridade conferíveis por qualquer pessoa, sem conta — porque quem precisa verificar um atestado normalmente não é o paciente.
Portabilidade como plano de saída
Os registros clínicos são mapeados para recursos FHIR, o padrão que a RNDS adota no Brasil, e a exportação entrega dados estruturados junto com os arquivos originais. É o que permite levar o histórico para outro sistema — e é também o que impede que a nossa continuidade vire problema seu.
O que ainda não está pronto
- Assinatura digital qualificada ICP-Brasil — sem ela, medicamento controlado segue o fluxo tradicional
- Credenciamento na RNDS para troca oficial de dados com a rede pública
- Certificação SBIS-CFM do sistema de registro eletrônico
- Autoria médica nomeada para conteúdo clínico — por isso os artigos aqui tratam de regulamentação e processo, não de orientação clínica