Como o SUSVIDA lê o seu exame (e por que ele não interpreta)
Da foto do papel ao valor organizado numa série: o que a leitura automática faz, onde ela erra, e a linha que separa organizar de diagnosticar.
Você envia o PDF do laboratório ou a foto do papel. Poucos segundos depois, os valores aparecem organizados por data e por analito, prontos para comparar com os exames anteriores. Vale explicar o que acontece nesse intervalo — e o que deliberadamente não acontece.
Primeiro passo: extrair o texto
O documento passa por reconhecimento óptico de caracteres (OCR), que converte a imagem em texto. Isso roda em servidor próprio, não em serviço de terceiro — documento clínico não sai da infraestrutura para ser lido.
A qualidade da foto manda no resultado. Papel amassado, foto tremida, luz de lado, sombra da mão sobre a folha: tudo isso vira caractere errado. Um PDF do próprio laboratório, quando existe, sempre lê melhor do que a melhor foto.
Segundo passo: tirar o que identifica você
Antes de qualquer processamento adicional, o texto passa por remoção de dados identificadores — nome, CPF, endereço, telefone, CRM. Só depois disso ele segue para a etapa de estruturação. A razão é simples: quanto menos o dado identificado circula entre componentes, menor a superfície de exposição.
Terceiro passo: estruturar
O texto vira estrutura: qual analito, qual valor, qual unidade, qual intervalo de referência, qual data de coleta. Os analitos são mapeados para LOINC, o vocabulário internacional de exames — é isso que permite afirmar que a "glicose" de um laboratório e a "glicemia" de outro são a mesma medida e podem entrar na mesma série.
O que não acontece
Nenhuma etapa interpreta o resultado. A leitura automática organiza e compara; dizer o que aquele valor significa naquele paciente é ato médico, e depende de história clínica, exame físico e contexto que nenhum leitor de documento tem.