"Criptografia em repouso": o que essa frase quer dizer de fato
Termo comum em página de segurança e raramente explicado. O que ele protege, o que não protege, e as perguntas que revelam se há substância por trás.
Páginas de segurança de serviços de saúde repetem a expressão "criptografia em repouso" com a naturalidade de quem espera que ninguém pergunte o que ela significa. Significa algo específico, cobre um risco específico, e não cobre vários outros.
Repouso e trânsito
Em trânsito é o dado viajando pela rede entre o seu aparelho e o servidor — protegido por TLS, o mesmo mecanismo do cadeado do navegador. Em repouso é o dado parado no disco, no banco e nos backups.
Criptografia em repouso protege contra quem obtém acesso ao armazenamento: disco levado do datacenter, backup vazado, cópia de banco parando em lugar indevido. Nesse cenário, o conteúdo é ilegível sem a chave.
O que ela não protege
Não protege contra acesso legítimo indevido. Um usuário autenticado que consulta um dado que não deveria ver recebe o dado já decifrado — porque o sistema precisa decifrar para operar. Contra essa ameaça, o que serve é controle de acesso, isolamento no banco e auditoria.
Também não protege contra credencial roubada, nem contra falha na aplicação, nem contra alguém com acesso ao sistema em funcionamento. É uma camada, não um perímetro.
As perguntas que revelam substância
- Quais dados são criptografados: tudo, ou só alguns campos?
- Onde ficam as chaves — no mesmo lugar que os dados que elas protegem?
- Quem, na organização, consegue acessar dados decifrados, e isso é registrado?
- Os backups também são criptografados, e a chave é guardada fora da mesma máquina?
- O restore do backup já foi testado, ou apenas configurado?
A segunda pergunta elimina boa parte das promessas. Chave guardada ao lado do dado que ela protege é fechadura com a chave na porta: quem levou o disco levou as duas.