Por que o SUSVIDA é gratuito — e o que isso não significa
Quando o produto é grátis, a pergunta certa é quem paga. O modelo do SUSVIDA, o que ele não faz com dado clínico e como cobrar coerência disso.
"Se você não paga pelo produto, você é o produto" virou máxima justamente porque descreve bem a internet de anúncios. Aplicada a saúde, ela deveria provocar uma pergunta direta, e é razoável que você a faça: como um serviço que guarda prontuário se sustenta sendo gratuito?
O que não é o modelo
Dado clínico não é vendido, não é cedido a terceiros e não alimenta segmentação de anúncio. Não é isso por escolha comercial apenas: a LGPD trata dado de saúde como sensível e restringe o tratamento a hipóteses específicas (art. 11), entre as quais não está o legítimo interesse — a base flexível que sustenta boa parte da publicidade comportamental.
Na prática, o modelo "dado de saúde em troca de serviço grátis" não é apenas indefensável: é juridicamente frágil no Brasil.
O que sustenta
Mídia em áreas não sensíveis da plataforma, com campanha aprovada, e serviços destinados a instituições. A separação importa: espaço publicitário não aparece dentro de prontuário, de timeline clínica nem de teleconsulta, e o anunciante não recebe informação sobre quem viu.
Como cobrar coerência
- A política de privacidade diz explicitamente que dado de saúde não é compartilhado para fins comerciais?
- Existe publicidade dentro de área com conteúdo clínico?
- A exportação de dados é completa e em formato aberto — ou seja, você pode sair?
- Há registro de auditoria que permita saber quem acessou seus dados?
A terceira pergunta é a mais reveladora. Serviço que ganha dinheiro com aprisionamento dificulta a saída; serviço que não ganha, não tem por que dificultar.